Ao contrário de outros serial killers do cinema, Jigsaw não mata diretamente suas vítimas: ele as coloca em armadilhas engenhosas e brutais, forçando-as a enfrentar decisões impossíveis para sobreviver — tudo sob o pretexto de valorizarem mais a vida.
O primeiro filme estabelece a fórmula da série com um suspense claustrofóbico e uma reviravolta impactante, quando dois homens acordam acorrentados em um banheiro abandonado, presos em um jogo macabro. A atmosfera é opressora e o foco está mais no terror psicológico do que na violência gráfica, embora esta já esteja presente. O segundo filme amplia a escala, colocando várias pessoas dentro de uma casa repleta de armadilhas, ao mesmo tempo em que explora a figura do detetive Eric Matthews, cujas decisões acabam sendo manipuladas por Jigsaw de forma cruelmente calculada.
No terceiro filme, a complexidade moral se intensifica. Vemos mais de perto a filosofia de Jigsaw, já debilitado fisicamente e auxiliado por sua aprendiz Amanda. Aqui, as armadilhas são ainda mais cruéis, refletindo dilemas éticos profundos, e o tom da história assume uma gravidade mais emocional, explorando temas como o perdão, a culpa e a justiça pessoal. O quarto filme, por sua vez, dá continuidade direta aos eventos anteriores, revelando mais do passado do vilão e ampliando a rede de personagens envolvidos em seus jogos. Ao mesmo tempo, as linhas entre vítima e algoz tornam-se mais borradas, revelando o legado sombrio que Jigsaw deixa para trás mesmo após sua morte.
A Saw quadrilogia é uma sequência de filmes interligados por uma narrativa contínua, onde cada nova revelação ressignifica o que veio antes. O terror gráfico — popularmente associado à franquia — serve de veículo para uma crítica à apatia moral e à negligência com a vida. Mais do que apenas violência gratuita, os quatro primeiros filmes oferecem um quebra-cabeça narrativo onde o horror surge tanto das armadilhas viscerais quanto das decisões humanas colocadas à prova sob extrema pressão.















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